DE PEITO ABERTO PARA DISCUTIR A “REJEIÇÃO” - Revista Auto Estima nº 19


Rejeição do corpo humano ao silicone colocado nas mamas chega a 3% com o melhoramento das próteses.

Curitiba – Quando a dentista Rose Bariçõ resolveu colocar silicone nos seios não imaginava que poderia fazer parte da estatística de 3% das mulheres que sofrem rejeição quando fazem a cirurgia. Passou oito meses entre o processo de rejeição e adaptação do corpo às próteses. Com a jornalista Paola Marques, a situação foi ainda pior. Ela sofreu rejeição logo após a cirurgia.

“Eu não conseguia ficar ereta. Doía muito. Achei que era apenas a dor da cirurgia, mas ela se tornou insuportável. Então o médico disse que eu tinha rejeição”, comenta. O motivo, segundo Paola, foi o material da prótese. Por esse motivo ela teve de voltar ao centro cirúrgico para colocar próteses de um outro material.

Segundo o cirurgião plástico, Lincoln Graça Neto – que tem como linha de pesquisa de seu doutorado os motivos da rejeição do corpo às próteses de mama – a rejeição é algo que todo o ser humano, que realiza uma cirurgia, está sujeito. Mas os índices com as de implante de silicone nas mamas são pequenos, atualmente. Na década de 70, cerca de 30% das mulheres que faziam cirurgia de mama apresentam nos primeiros 10 anos algum tipo de rejeição. Com as próteses de poliuretano e texturizadas esse índice de rejeição baixou para 3% para o mesmo período.

Como o número de brasileiras que se submetem à cirurgia cresce a cada ano, Auto Estima, procurou o doutorando nesta área – cirurgião plástico Lincoln Graça Neto – para que oriente nossas leitoras sobre as formas de se evitar a rejeição.

AE) Como uma paciente sabe que o corpo está rejeitando a prótese?

Dr. Lincoln: O processo de rejeição começa com o enrijecimento ou endurecimento da mama. Pode existir ou não dor no início. As formas graves da doença são dor e deformidade da mama. Por isso a qualquer sintoma de enrijecimento ou dor a paciente deve procurar o seu cirurgião plástico.

AE) Quais as causas da rejeição?

Dr. Lincoln: Cogitam-se vários motivos que podem levar a rejeição: infecção, incompatibilidade imunológica, ruptura do implante, pequenos corpos estranhos ao redor da prótese como fragmentos de gaze e até o próprio sangue da paciente. Mas é preciso que fique claro: não há nada comprovado sobre o assunto. Tudo leva a crer que o principal fator seja uma incompatibilidade imunológica, uma espécie de defesa do corpo humano, já que a prótese é um corpo estranho dentro do organismo.

AE) Como evitar a rejeição?

Dr. Lincoln: Estudos mostram que de 10 em 10 anos é recomendável observar a prótese com possibilidade de troca. Ecografias e mamografias devem ser realizadas.

AE) Quais os cuidados que a paciente deve ter para evitar a rejeição?

Dr. Lincoln: É importante atentar para três itens: escolher um bom hospital, com estrutura adequada para fazer a cirurgia. Procurar um profissional médico habilitado e de preferência com especialização na área de cirurgia estética e, escolher uma boa prótese. Atualmente as de poliuretano e texturizadas são as mais indicadas.

AE) E após a cirurgia?

Dr. Lincoln: O ideal é evitar esforço físico nos primeiros 30 dias para que não haja hematoma ou sangramento.

AE) Se houver rejeição é possível resolver?

Dr. Lincoln: Quanto antes a paciente procurar o médico mais chances terá de não passar por uma nova operação. Só nos casos de enrijecimento e deformidade da mama é que se parte para a cirurgia. É retirada a cápsula que envolve a prótese e a paciente pode conviver tranqüilamente com um corpo bonito e harmônico. Nos casos de deformidade nas mamas provocados pela rejeição a paciente também pode ficar tranqüila que o caso é de fácil solução.

Cibele Fontanela

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